terça-feira, 20 de abril de 2010

A greve acabou! Coincidência?

Tão logo o governador do estado de São Paulo deixou seu cargo pra se candidatar a presidência, a APEOESP resolveu cessar a greve. Seria apenas uma coincidência? Seria coincidência que, a mesma representante do sindicato, Maria Izabel Azevedo Noronha, que outrora disse querer “quebrar a coluna do governador” resolvesse cessar a greve tão logo o governador deixasse seu cargo?

Para nos falar um pouco sobre o assunto, entrevistamos o Vereador Paulo Roberto Tarzã dos Santos que pertence ao mesmo partido do candidato à presidência José Serra, PSDB:

Everton, A Gazeta: Sr. Vereador, a greve ter acabado tão logo o governador tenha deixado seu cargo foi apenas uma coincidência? 

Vereador Tarzã: Eu não encaro como coincidência. Todos sabemos que a grande maioria da APEOESP tem ligação com o Partido dos Trabalhadores, nós entendemos que é muito importante a organização das categorias e o movimento pela melhora da escola pública, mas lamentavelmente a maioria dos que articularam a greve, o fizeram por motivos políticos.

Felizmente hoje a sociedade civil entendeu que o objetivo de algumas lideranças da APEOESP são ligadas aos objetivos do Partido dos Trabalhadores, e quando eu falo de sociedade civil me refiro a alunos, pais de alunos e a própria categoria dos professores. Mas também posso me dizer confiante no discernimento e na sabedoria da sociedade que percebeu essa movimentação e não aderiam. A greve tinha reivindicações impossíveis de serem atendidas, além de ter um radicalismo por parte dos dirigentes. A gente percebe o amadurecimento da categoria e da sociedade civil e não permitir que ninguém mais se deixe ser usado. 

Everton, A Gazeta:  Há algum tempo tivemos a greve da Polícia Civil e eles conseguiram chegar a um acordo com o então governador José Serra, em que se difere a greve organizada pela Polícia Civil da greve articulada pela APEOESP? 

Vereador Tarzã: A greve da Polícia Civil uniu a categoria e não era uma greve político partidária. Eles não “partidarizaram” o movimento, eles apenas mostraram ao governador suas reivindicações e, dentro do possível, elas foram atendidas. Claro que não se avançou em tudo que eles queriam, pois existe o ideal e o possível, mas houveram grandes avanços para a categoria. 

Everton, A Gazeta: E porque na greve articulada pela APEOESP, até o presente momento não houveram avanços nas negociações? 

Vereador Tarzã: O sindicato da APEOESP tem conhecimento que o estado possui a Lei de Responsabilidade Fiscal, e por isso existe um limite a partir do qual não se pode mais aumentar o salário. O problema é que eles são contra tudo, eles cobraram Concurso Público, e agora estão manifestando-se contrários ao concurso, o Estado está promovendo Concurso para preencher as vagas. O Estado também avançou na questão do salário, promovendo um programa de mérito para aqueles que obtém uma nota e uma assiduidade satisfatória.

Então, houveram avanços, que talvez não tenham sido suficientes e eu concordo que a educação precisa ser melhorada, não apenas a nível estadual, mas em todo o Brasil. Nós temos que entender a realidade, eu gostaria que eles mostrassem em qual estado ou em qual cidade os professores recebem aquilo que eles estão reivindicando. Eu queria que eles apresentassem o holerite. Claro que os professores precisam ganhar mais, mas infelizmente, o Brasil, ainda que seja um país rico, possui uma má distribuição de renda, então o estado não tem condições, atualmente, de valorizar o profissional como ele merece, não apenas com salário mas com capacitação e treinamento. A tarefa de melhorar a educação é um desafio para todo o Brasil.

O que nós percebemos foi a falta de articulação do sindicato da APEOESP que são contra tudo e não querem dialogar em termos de propostas, além de não quererem reconhecer que houveram alguns avanços. Tem que ter a habilidade de negociar, e a greve deve ser usada somente em situações extremas, o que não seria o caso; eles poderiam reivindicar sem a necessidade de articular uma greve.  

Matéria publicada no Jornal A Gazeta Notícias, Folha A4,Ano III, Edição 138 em 15 de abril de 2010.


Everton do N. Siqueira - Colunista e Repórter Free Lancer

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