terça-feira, 8 de setembro de 2009

São Dimas e a humildade

“Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino! Jesus respondeu-lhe: Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso". (Lc 23,42-43).

Quem não se lembra desta cena, retratada de modo brilhante pelos atores do filme A Paixão de Cristo, em que Jesus, com a pouca energia que lhe resta, é capaz de declarar inocente esse terrível ladrão, quando este, por sua vez, reconheceu seus pecados “recebemos o que mereceram os nossos crimes (Lc 23,41)” e entregou-se à vontade daquele que, naquele momento, estava até irreconhecível como Deus, pregado numa cruz, açoitado ,humilhado, totalmente massacrado pelos soldados e com uma coroa de espinhos lhe perfurando toda a cabeça. Tamanha fé, de reconhecer o Salvador naquele momento final da morte de cruz, e ao mesmo tempo reconhecer sua pequenez e seus inúmeros pecados, tornou-se um exemplo para todos nós cristãos.

“São Dimas, que pelas chagas de Jesus crucificado, na vida e na morte, seja eu justificado”

Se pegarmos a nossa Bíblia no Evangelho de Marcos 10,46-52 perceberemos outra passagem semelhante, de um cego que gritava, e de modo semelhante humilhava-se para implorar a misericórdia Deus: “Jesus, filho de Davi, tem compaixão de mim!" (Mc 10,47).
Jesus, mesmo sabendo tudo sobre aquele homem, perguntou-lhe “Que queres que te faça?”.

Parece estranho que o próprio Deus encarnado, que conhece o coração humano, e todos os nossos pensamentos (Eclo 42,18-20), tenha perguntando àquele homem “Que queres que te faça?”, como se já não soubesse da resposta quase imediata que daria aquele cego: “que eu veja”.

Jesus lhe faz esta pergunta, porque Deus nos criou livres; e é dessa liberdade que ele quer que nos arrependamos, reconheçamos nossas fraquezas e então, como o ladrão no alto da cruz, peçamos perdão a Ele pelos pecados que cometemos todos os dias. Se formos condenados ao inferno, não será por injustiça de Deus, mas estaremos (como aquele ladrão) recebendo o que merecemos de direito, pelos nossos crimes. E é por isso que temos, a todo momento, a necessidade suprema de, como aquele cego, implorar a misericórdia de Deus: “Jesus, filho de Davi, tem compaixão de mim!” (Mc 10,47).

Que nosso orgulho não nos faça, sequer por um instante, pensar já estarmos salvos, ou que não termos pecados pois "se pensamos não ter pecado, nós o declaramos mentiroso e a sua palavra não está em nós". (1Jo 1,10).

Que com essa pequena reflexão tomemos consciência de nossas faltas e corramos em direção a Cristo, para que, arrependidos de coração, recebamos o perdão pelas nossas faltas.

Everton do N. Siqueira

www.paroquiapiedade.com.br

Artigo publicado originalmente no jornal A Gazeta Notícias, 03 de setembro de 2009, Coluna Católica –caderno 02.

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